A Thiane do blog Vertente me fez um convite para responder o porque eu blogo, já respondi antes um outro convite sobre como escrevo só que a resposta foi um tanto superficial até porque estava blogando a pouco tempo e não estava claro nem mesmo pra mim o que eu estava fazendo por aqui, mas o convite da Thiane tem duas particularidades que o torna especial, a primeira tem haver com ela ou mais propriamente por um post que ela escreveu recentemente, o "Quando a outra é um anjo na sua vida", no qual ela se expõe de forma muito corajosa, então este convite partindo dela me faz sentir na obrigação de ser também muito verdadeiro. A outra particularidade deste convite tem haver comigo, com um acontecimento recente, um dialogo com uma ex que marcou pra caramba este mutante, onde falamos de como não conseguimos fazer dar certo entre a gente e como ainda é difícil estar um na presença do outro.
Não sei exatamente o que me levou a começar a blogar, nunca havia escrito antes e quando pensei sobre o que escreveria listei os assuntos que mais me interessam como
cinema, música, comix, literatura, ecologia, esportes de aventura, mas quase não escrevi sobre eles, na verdade acabei postando mais sobre relacionamentos e comportamento, sobre homens e mulheres do que qualquer outro assunto, hoje me perguntando o porque disso vejo que é um assunto não muito bem digerido pra mim,
blogar tem sido uma forma divertida de digeri estes sentimentos e estar em contato com outras pessoas que estão tentando fazer este mesmo processo, até por isso tenho preferência por blogs femininos, os homens pouco escrevem mais franca e abertamente sobre seus sentimentos, vou fazer uma exceção aqui para o
Fabio Centenaro de quem me agrada muito os textos.
Escrever sobre relacionamentos homem X mulher tem me rendido alguns elogios e a falsa imagem de que eu sou o tipo de cara que conhece muito da alma feminina, como algumas das meninas que passaram por lá já me escreveram, mas na verdade escrevo a partir de tristes certezas do masculino, certezas das expectativas femininas das quais deixei a desejar, de como não puder faze-la se sentir confiante o suficiente pra entrar de cabeça, de que numa relação eu precisaria de bem mais estrutura do que tinha ou tenho, mas saber essas coisas não são o suficiente para muda-las. Pode ter parecido muito sedutor para essa minha ex, carioca recém chegada em Porto de Galinhas(vinda pra fazer uma pesquisa de mestrado da PUC sobre a cultura local) encontrar um cara que freqüentava todas as rodas sem se vincular a nenhuma, que sacava tudo do lugar, presença garantida na noite local, e me conheceu dias antes do meus aniversário, foi na festa numa cantina onde dos cliente as proprietárias, do músico ao pessoal do staff todos eram meus amigos, um cara safo e sem amarras que tava apresentando pra ela um monte de coisas novas, mas toda essa leveza e charmosa falta de compromisso, um homem com asas como dizia ela, acabaram atrapalhando na hora de brincar de casinha pra valer, pra ela com dois filhos e algumas mágoas de relacionamento anteriores não foi fácil se entregar numa estória com um cara que parecia poder bater asas a qualquer momento, dai começou uma estória de gata e rato que durou três anos, quando um tava dentro, acreditando e investindo na relação o outro de pé atrás e assim nos revezamos. Hoje pode também ter seu charme o cara que largou um emprego numa editora na fria Curitiba para construir barcos Polinésios no litoral do nordeste a convite de um amigo e decidiu isso em poucos dias sem muito planejamento, mas tanta leveza e falta de compromisso assim nem todas encaram pra uma relação, pelo menos essa ex não encarou.
Falar de como nós homens somos isso ou aquilo e de como as mulheres precisam disso ou daquilo é fácil mas ser o tal do "Homem Grande" de que se fala por ai não é simples, e me pego blogando sobre atender essa expectativas femininas que eu mesmo não atendi, decididamente blogar é terapia.